Avenida SushiCafé, do japonês tradicional à fusão

avenida sushicafé

Descobri há uma semana atrás que, afinal, existe bom sushi. Onde? No número 28 da Avenida da Liberdade. E, até pode ser fácil não dar logo com a entrada, mas sempre que voltar a passar pela Rua Barata Salgueiro vou lembrar-me de uma das mais interessantes experiências gastronómicas com que me deliciei até hoje. Mas também do melhor cheesecake e gelado de sempre, que comi no Avenida SushiCafé.

Em primeiro lugar, faço o disclaimer de que nunca fui fã de sushi. E também não passei a ser, confesso. Mas, quando me voltarem a convidar para ir jantar peixe cru, sei que já não vou revirar os olhos, e sim perguntar “Onde?” É que se há lição que tirei é que o “onde” é muito importante. E não é que nunca mo tivessem dito. Já perdi a conta às vezes em que me disseram “não foste ao sítio certo”. Só agora, confesso, percebi que é verdade.

Não me atrevo a afirmar que o único sítio certo para comer sushi é o Avenida SushiCafé. Como é lógico estaria a mentir. Nem que seja porque, para além de nunca ter ido a todos os restaurantes japoneses do mundo, nunca comi sushi em mais lado nenhum de Lisboa. Mas posso assegurar que é o único sítio certo que eu conheço para comer sushi e o melhor para nos deliciarmos à sobremesa.

Antes de falarmos do menu, quero agradecer à Kéké por me ter feito o convite para me juntar a uma aventura gastronómica com outros bons garfos e ao restaurante por nos ter recebido tão bem — tanto o chefe de mesa como o Chef se apresentaram e explicaram todos os pratos que nos foram servidos. E é óbvio que não é todos os dias que o Chef vem à mesa falar connosco ou que os pratos nos são explicados ao pormenor. Por isso, tenho de sublinhar a simpatia com que o foi feito. E que também me ajudou a superar os nervos de poder não gostar de nada do que me pusessem à frente.

Uma aventura pelo Japão: do tradicional à fusão

A arquitectura do espaço fala por si. Elegante, não nos intimida, mas faz-nos sentir especiais. Por outro lado, tem um menu de degustação que é perfeito para quem quer experienciar uma mistura entre as culturas gastronómicas do ocidente e do oriente — e que é semelhante ao que nos foi apresentado no dia nove deste mês.

Para além disso, a elegância do espaço estende-se ao cuidado com a apresentação das mesas, bem como dos pratos e das bebidas. E, por falar nos refrescos, não só bebi um excelente vinho branco (à escolha do chefe de mesa), como experimentei uma saikirinha (caipirinha com sake) e uma saikiroska (caipiroska com sake). Estavam ambas maravilhosas. Gostei mesmo muito. E fiz questão de fotografar também outras bebidas fotogénicas que vieram para a mesa e que muito bem nos acompanharam numa viagem gastronómica, que durou das 20h00 à meia-noite.

oito pratos: frios, quentes, muito peixe, pouca carne

avenida sushicafé himalayan salt rock sashimiChutoro é o nome dado a um atum meio-grosso, por norma a parte da pele da barriga e do lombo do peixe. Tem um sabor suave, ligeiramente amargo, mas também doce. Sei que parece confuso e eu até nem gosto de atum — e, por isso, podia ter sido um desastre: não foi. Gostei do género “hum, não é o melhor que já comi desde que existo, mas sushi afinal até é bom”.

As fatias de sashimi foram dobradas à nossa frente. O objectivo deste prato é experimentar os sabores em conjunto. Por outro lado, o wasabi é usado pelos japoneses para apimentar os pratos e eu adoro comida picante. Além disso, confesso que se desfaz tudo muito bem na boca.

Mais um prato com atum. E que, curiosamente, adorei. Foi, aliás, um dos meus pratos preferidos. E é um prato do mundo: o picante kimchi é coreano e a pergamena crocante é de inspiração italiana, mas fez-me lembrar do papari, um pão indiano.

Juro que se não fossemos tantos para partilhar três ou quatro exemplares deste prato, tinha comido mais. Gostei do contraste entre o suave (do atum) e o picante e de sentir a pergamena estaladiça pelo meio.

Odeio rolinhos. Desculpem, mas não consigo perceber o prazer de enfiar, só de uma vez, uma bola de arroz na boca. Não consigo saborear bem e até me sinto atrapalhada. Por outro lado, não aprecio foie gras (fígado gordo).

Só experimentei um e, embora não me tenha estragado a refeição, também não me acrescentou nada. Ainda assim, é uma questão de gosto. Tenho a certeza que, para quem gosta, estaria muito bem confeccionado. Até porque se nota — e tenho de me repetir — na qualidade e frescura do peixe.

Este é o exemplo de um prato japonês fortemente influenciado por distintas culturas gastronómicas de outras partes do mundo. Mas não me agradou: não gostei do sabor do sashimi e acabou por não ser o único peixe cru de que não gostei (já lá iremos). Por outro lado, gostei imenso da salada de salicórnia (conhecida como o “espargo do mar”) e do molho de vinagrete com pesto.

avenida sushicafé kuro cevicheConfesso que a apresentação deste prato me intrigou. É elegante. E, depois de lá pormos o garfo, deixa de o ser: parece lodo e, como nem sequer percebi que era puré negro de batata doce (o Chef explicou até que a cor é graças a tinta de choco, mas eu não estava atenta nessa ocasião), acabei por limpar a maior parte ao guardanapo. Por outro lado, o peixe cru não me conquistou.

Conquistou-me o facto de, ainda assim, ter sentido que os outros bons garfos, a maior parte fã assumida de sushi ao contrário de mim, gostaram. Sobretudo porque as bebidas me ajudaram a esquecer quaisquer dissabores — culpa de quem gosta mais de quentes do que de frios, mas sabe reconhecer a qualidade e a frescura dos peixes.

wagyu truffle sashimiO meu prato preferido, sem dúvida. Primeiro, a carne de wagyu — muito suave e saborosa —foi uma lufada de ar fresco no meio de tanto peixe. Depois, a tempura de shimeji (um tipo de cogumelos) parecem peixinhos da horta, mas são muito melhores — sim, adoro cogumelos.

Só para perceberem o quanto gostei, até fiz questão de convencer a Kéké, que não come carne (mas come peixe), a experimentar. E (por favor) não digam que sou má pessoa, porque ela não podia sair completa desta experiência gastronómica se deixasse este prato em específico por provar. É mesmo, mesmo, mesmo bom. Prometo.

avenida sushicafé kisetsu sashimiFiquei impressionada quando este prato chegou à mesa. Primeiro porque é realmente imponente. Depois porque trás 25 peças de sashimi de diferentes peixes e, segundo o que nos explicaram, de “outros da nossa costa”, como vieiras, ostras e camarões. Estes últimos deixaram-me muito entusiasmada (porque adoro camarão), mas acabei por ficar desiludida, porque não gostei nada do sabor. Até gostei mais dos outros peixes, se for sincera.

É por achar que não gosto da maior parte do peixe cru característico do que é o sushi que digo que não sou fã de sushi. E é pena porque cresci no Algarve e adoro marisco — pura e simplesmente prefiro comê-lo quente. Por outro lado, não posso negar que, para quem aprecia, a qualidade do peixe do Avenida SushiCafé é realmente excelente (o cheiro não é intenso, percebe-se a frescura e os cortes parecem muito bem feitos.).

Por último, outro prato que me conquistou absolutamente. E que — a par do crocante mille-feuilles tuna tartar e do inesperado wagyu truffle sashimi — se encontra no meu top3.

.Um prato quente (yey) delicioso, não só pelo sabor e pela textura do bacalhau, mas também pelas migas de frade a acompanhar. Ai, o que eu adoro migas. Só de olhar me cresce água na boca. E a apresentação é impressionante — não só a deste prato, mas a de todos os outros.

duas Sobremesas: pecados de comer e chorar por mais

Não consigo expressar o quão boa é esta sobremesa. Chama-se sundae, mas não há nenhum sundae que se compare.

É um bom gelado de nata com caramelo de miso, que é como quem diz caramelo salgado — e nunca sequer pensei que existisse, quanto mais que fosse tão delicioso. Toda a combinação (a nata, o caramelo salgado, o crumble do oreo e o pau de biscoito de waffle) é arrebatadora.

kabotcha cheesecakeComeço por confessar que nunca gostei de cheesecake e agora ando a sonhar com este há mais de uma semana. O doce de abóbora foi forjado no céu, só pode. Mais a canela q.b. e as pevides que fazem toda a diferença. Nem sequer consigo escolher entre o gelado acima e este cheesecake. Mas tenho a certeza que a próxima vez que voltar ao número 28 da Rua Barata Salgueiro me vou perder entre estes pecados de comer e chorar por mais.

Avenida SushiCafé 
Rua Barata Salgueiro, n.º 28, 
Avenida da Liberdade, Lisboa

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