Flow: 19 dias de Mindfulness

Flow: 19 dias de mindfulness

Nunca tinha ouvido falar nem posto os olhos na Flow Magazine, uma revista holandesa sobre psicologia positiva, mindfulness, criatividade e a beleza da imperfeição. Após um feliz primeiro encontro, estou prestes a começar os meus 19 dias de Mindfulness.

Há uns dias estava à procura do número três da portuguesa Calm, que trouxe para casa sem pestanejar, e tropecei com o olhar numa edição francesa da Flow e numa edição especial em inglês da mesma revista. Flow: 19 Days of Mindfulness é um guia prático para o dia-a-dia e que, como o nome indica, tem tudo a ver com mindfulness.

O mindfulness, ou atenção plena, é um treino mental que ensina as pessoas a lidarem com os seus pensamentos e emoções. Embora seja uma técnica milenar, a sua introdução na sociedade ocidental deve-se a Jon Kabat-Zinn, um doutorado em Biologia Molecular pelo MIT, que num retiro percebeu o potencial da meditação como ferramenta de gestão de stress.

O mindfulness pode ser posto em prática com a meditação e no dia-a-dia, quando experimentamos o «estar presente», desligando o piloto automático e prestando atenção plena ao que estamos a fazer e sentir – e passa também por tentar sentir o máximo de emoções positivas possíveis. Em situações de stress o objectivo é tentar acalmar-nos e não cedermos a emoções negativas como a frustração ou a angústia.

Flow Trust the timing of your life

Recomendo: o curso Search Inside Yourself da Google.

Flow: 19 Days of Mindfulness aborda o potencial de mindfulness presente em actividades criativas, como escrever, brincar com papel, colorir ou estampar, e como acalmar a mente é uma forma de abrir caminho a novas ideias. Fala-nos da vida de mulheres artistas, do bem que escrever umas quantas páginas todos os dias nos pode fazer, do prazer de ler devagar e do valor de ter o nosso próprio projecto fotográfico.

Esta edição especial, repleta de ilustrações e fotografias maravilhosas, começa logo com um conselho: pensa menos, faz mais. Porque pensar nem sempre implica fazer. Na maior parte das vezes significa até procrastinar. Aliás, quantas vezes perdemos o foco ao pensar no que temos para fazer em vez de efectivamente pôr-mos mãos à obra?

O primeiro dia é, por isso, para reflectir acerca da importância de vivermos o momento e de como o podemos fazer melhor. Como é óbvio, o destaque dado à meditação é enorme, sobretudo quando criativos como o David Lynch e a Yoko Ono a praticam. Por isso, o que seria melhor no segundo dia do que exercícios para nos ajudar?

Páginas de desafios é o que nos espera. Desenharmos nuvens com os nossos pensamentos, colhermos uma flor e fazermos o seu retrato, escrever o que nos preocupa em balões que imaginamos voarem para longe ou registarmos em lista o que encontramos no caminho para casa.

Esperam-nos 19 dias de inspiração: nos outros, na escrita, nos materiais (em objectos de que gostamos muito), no prazer de brincar com papel ou de ler devagar e apreciar as páginas a passar lentamente, num projecto fotográfico que nos incentiva a treinar o olhar ou na serenidade que se pode obter enquanto se cozinha.

ONDE ENCONTRAR A FLOW?

No El Corte Inglès ou na Under the cover, p.ex.

Desafio: aprender a apreciar o agora

Stop, Breathe & ThinkEu não sou muito calma. A minha atenção não costuma ser plena. Sou aquela pessoa que, por exemplo, abre trinta mil separadores no computador, quando supostamente devia estar só a concentrar-se numa tarefa. Para além de desconfiar que não consigo parar de pensar, sobretudo no que me aflige.

Recentemente instalei a aplicação Stop, Breathe & Think no telemóvel e já fiz uns exercícios de meditação. Enquanto melhoramos a nossa respiração e nos tentamos conectar connosco próprios e com o que nos rodeia, ouvimos faixas que podem ter três, seis ou mais minutos. É como ouvir um podcast.

Já meditei à segunda-feira e ganhei um stick por isso. Já meditei depois das nove da noite e ganhei outro stick por isso. Os sticks são uma espécie de autocolantes virtuais para preencher a nossa caderneta de vitórias mindfulness – e é tão bom recebermos selos de aprovação a atestar que estamos no caminho certo. Mas não, continuo muito longe de saber apreciar verdadeiramente o agora e, talvez, só talvez, 19 dias de mindfulness e criatividade sejam exactamente o que preciso para (começar a) aprender a respirar, a não entrar em pânico antes de tempo e a arranjar soluções de uma forma mais tranquila.

Não prometo nada, mas vou tentar fazer actualizações, nem que seja através do instagram. Pode ser que registar visualmente o processo se torne o meu projecto fotográfico e que vos inspire a fazer o mesmo.