Licenciei-me. E agora?

Quando voltei ao Algarve depois do fim da licenciatura, senti-me feliz por poder descansar de três anos tão bons quanto difíceis. Ainda assim, passei junho e julho a enviar currículos para todo o lado (só queria mesmo arranjar um estágio, um que fosse). Senti-me naquela altura em que percebemos que temos um canudo, mas sabemos que o seu valor só será reconhecido quando começarmos a ganhar um salário.

Fui procurando e, pelo meio, fiz alguns serviços de catering para ganhar uns trocos e não perder o ritmo da capital. Era quase agosto quando o Observador telefonou a propor um estágio no departamento de Gestão de Redes Sociais. Não era o que queria de todo, até porque estava à espera de ir trabalhar para uma redação. Aliás, quando enviara o currículo fora nesse sentido, mas coloquei tudo na balança e decidi arriscar. Afinal de contas era uma forma de conhecer o ambiente, de fazer contactos e, sobretudo, de voltar a esta cidade que já é tão minha.

Os três primeiros meses foram fantásticos. Os primeiros desafios, sobretudo emocionais, chegaram mais tarde. Já faz quase sete meses e, confesso, estou ansiosa pelo fim, em março. Apenas porque acho que é um ciclo que está na hora de ser fechado. Vou ter muitas saudades da redação, do ambiente nos melhores dias, de algumas pessoas. Por outro lado, saio com a certeza que gerir as redes sociais de um jornal não é o que quero fazer para o resto da minha vida.

Às vezes temos de perceber que isto de respirar não é um mar de rosas e que é tão importante dar o braço a torcer como irmos atrás dos nossos sonhos. Precisamos de equilibrar as contas, metafórica e literalmente. Eu dei o braço a torcer e não me arrependo um segundo. Tenho aprendido a ser ainda mais resiliente, a gerir feitios, mais do que redes, a dar de mim mesma quando acho que já não há mais, mas também, e sobretudo, que não vou desistir do jornalismo tão facilmente.

Entrar no mestrado em Comunicação de Ciência e voltar à esplanada foi uma benção. As segundas e terças, acompanhadas da minha folga ao sábado, passaram a ser os meus dias preferidos. Lembro-me de levar fotocópias para o estágio nos restantes dias e de ir lendo aos poucos o Failure para um dos seminários.

Só volto às aulas mais ao menos daqui a duas semanas e já estou entusiasmada. Foi um primeiro semestre intenso e em que descobri que gosto muito de Jornalismo Ambiental. O facto de ter publicado uma reportagem na Wilder é capaz de ter ajudado, mas é algo em que tenho andado a pensar com muito carinho.

Estar a fazer o estágio ao mesmo tempo que estou a estudar tem confirmado ainda mais esta vontade de contar histórias em vez de as partilhar. Quando a redação ficou com elementos a menos e começaram a recrutar, recordo-me como se tivesse sido ontem, porque estava lá a ouvir os currículos a serem vistos e revistos. Estava lá, numa secretária, a cumprir as minhas funções e a desejar que o meu currículo ainda lá estivesse por entre os outros. Agora já não, agora é diferente.

Quero um segundo semestre 100% focada nos estudos. Provavelmente vão surgir novos desafios e, admito, não vou ser capaz de dizer que não. Queria muito poder ir estagiar para um museu ou para um Centro Ciência Viva, porque são portas diferentes que este mestrado me abre e que tenho curiosidade em experimentar. Mas quero poder decidir com a cabeça de alguém que tem tudo controlado e não como a miúda aterrorizada que me senti por estar sem nada para fazer a não ser ir bronzear-me para a praia.

Portanto, a quem se licenciou agora e não sabe o que há-de fazer, aconselho a que façam o que têm feito até agora: seguir instintos e aproveitar oportunidades. Aproveitem todas as oportunidades que vos pareçam valer a pena. Às vezes são ainda melhores do que esperávamos e, quando não são, há sempre lições a retirar. São caminhos que se fazem e pelos quais é, muitas vezes, necessário passar.