Por que é que todas as mulheres devem ver The Bold Type?

Por que é que todas as mulheres devem ver The Bold Type?Freeform

Voltamos a Nova-Iorque, com um novo grupo de amigas. The Bold Type é a mais recente carta de amor ao feminismo e fala-nos, de e ao coração, sobre as carreiras, os sonhos e os confrontos diários das mulheres, num mundo cujas fronteiras estão cada vez menos definidas.

A Carrie Bradshaw e a Samantha Jones de Sex and the City são inesquecíveis, eu sei. (Sim, confesso que nunca me lembro da Miranda e da Charlotte.) Mas prometo que estarão a torcer, num piscar de olhos, pela Sutton (Meghann Fahy), a Kat (Aisha Dee) e a Jane (Katie Stevens).

The Bold Type Girls Support Girls

As protagonistas

Há quatro anos que o trio de amigas trabalha na Scarlet, uma revista para mulheres, produzida por mulheres, com um quadro de directores constituído apenas por… homens. Hum, hum. Felizmente, só os vemos de vez em quando e pouco ou nada os ouvimos falar.

Depois de tanto tempo as carreiras das protagonistas começam a divergir. Kat já é directora das redes sociais há cerca de dois anos, mas ainda tem muito com que aprender a lidar. Jane acabou de ser promovida a jornalista. Sutton, por sua vez, encontra-se entre a espada e a parede. Terá de decidir entre continuar como simples secretária ou arriscar tudo e perseguir o seu sonho na indústria da moda.

Porque nem tudo são rosas, nenhuma escapará a uma boa dose de desafios pessoais e profissionais. Jane, que cresceu sem mãe e rodeada de irmãos rapazes, terá de encontrar a sua própria voz, enquanto luta contra a jornalista que não se quer tornar, mas que aparentemente tem jeito para ser (e terá de o fazer numa revista que adora mas que se foca sobretudo em sexo, um tema que a deixa ligeiramente desconfortável).

Por outro lado, depois de conhecer Adena (Nikohl Boosheri), uma fotógrafa muçulmana, lésbica e de esquerda, Kat terá de se confrontar com a perspectiva de sair do armário quando nem sequer sabia que lá estava dentro. Sem, claro, deixar de lutar pela sua agenda feminista e pela vontade de tornar a revista mais politicamente activa.

“First of all, I can screw whoever I want.” – Sutton in The Bold Type

Por último, mas não menos importante, Sutton esconde uma relação com Richard Hunter (Samuel Page), um dos directores da revista (o mais atraente e charmoso, obviamente), enquanto tenta perceber o que fazer da sua vida e do Plano B que começa a sentir mais como peso do que como segurança.

Glamour familiar e a amizade entre mulheres

A vida é capaz de não ser assim tão elegante como a Manhattan da série. Mas entre as garrafas de champanhe abertas numa sala recheada de roupa, os outfits sempre no ponto e homens bonitos que respondem às mensagens passados menos de cinco minutos, existe uma certa familiaridade que nos encanta.

Sobretudo a forma como a amizade entre as protagonistas é retratada. Desde a situação ridícula de pararmos uma fila para tirarmos uma selfie (quem nunca se apoderou do espelho de uma casa de banho pública para tirar uma fotografia de grupo que atire a primeira pedra) até meter as mãos na massa (às vezes literalmente) para safar uma amiga de uma situação constrangedora (não vou spoilar, prometo).

Mulheres The Bold Type Selfie Time

The Bold Type Friendship

Carreira, relações e revolução digital

Mas, afinal, como é que podemos descobrir quem somos, o que queremos e como o alcançar, enquanto lutamos não só contra as nossas próprias expectativas como com todos os outros obstáculos quotidianos?

Parece-me ser esta a pergunta de partida de The Bold Type e uma das razões por que todas as mulheres devem ver a série relaciona-se, precisamente, com a forma como retrata a busca feminina por sucesso e felicidade sem o tradicional backstabbing.

Aliás, a própria directora da Scarlet, Jacqueline Carlyle (Melora Hardin), nada tem a ver com as chefes cruéis que estamos acostumados a ver neste género de narrativas, como acontece por exemplo em The Devil Wears Prada. Jac é, na verdade, mais como uma mentora e, sempre que quebra o seu silêncio táctico, mostra-se carismática, inteligente e bondosa.

“I expect you to unleash holy hell on anyone who tries to hold you back.” – Jacqueline Carlyle in The Bold Type

Mesmo Lauren (Emily Chang), que é uma espécie de chefe dor-de-cabeça para a Sutton, se revela boa pessoa no momento certo. Já para não falar que a Adena é uma personagem absolutamente extraordinária e que tem, de certeza absoluta, um papel importante no desenvolvimento de Kat. Para além de representar o confronto com questões tão polémicas como a homossexualidade, a religião e o que é suposto ser realmente a emancipação feminina.

Depois, a série também aborda os efeitos colaterais da revolução digital. A forma como a nossa privacidade é cada vez mais (facilmente) violada, porque é tão fácil carregarmos no enter sem sequer pensarmos duas vezes nas possíveis consequências de um simples click.

Por outro lado, o copo nunca está apenas meio vazio. Há sempre um reverso positivo. As redes sociais dão-nos a oportunidade de nos conectarmos com pessoas que têm os mesmos interesses que nós e até a chamar a atenção para questões políticas e sociais pertinentes.

Tudo isto e muito mais para descobrir em The Bold Type. Mesmo que seja só “como fazer stalking a um ex que não tem redes sociais”. Porque, não tentem negar, todas as mulheres se divertem (um bocadinho que seja) com a arte de espiar secretamente paixões antigas (mas só em momentos de tédio que duram, no máximo, meia hora, claro).

Feminista, politicamente activa, assumidamente sex positive e defensora da diversidade étnica e religiosa, sem deixar de parte o lado leve, superficial e divertido da vida, The Bold Type é o meu novo not guilty pleasure.

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