‘O RAPAZ DAS FOTOGRAFIAS ETERNAS’, uma narrativa mágica sobre os habitantes da Vila de Claraboia

O Rapaz das Fotografias Eternas é o primeiro romance de Edson Athayde, um dos criativos mais premiados de Portugal. Uma divertida e dramática fábula para gente crescida sobre a aventura de Pedro, o Rapaz das Fotografias Eternas, que,  na solar Vila de Claraboia, se cruza com “personagens maiores do que a vida: as três Marias, cada uma com a sua mania; Bakunin, o cão que fala em russo; Alaor, o viúvo da mulher que nunca nasceu; Apolónio, o barbudo que fabrica guarda-chuvas; Flora, a falsa oráculo nipo-andalusa; Jonas, o que será louco, poeta ou morto”.

Num tom coloquial e com laivos de português brasileiro, Edson Athayde constrói uma narrativa mágica sobre os habitantes da Vila de Claraboia, um lugar surreal, mas genialmente arquitetado. A “ousadia de Pedro de se meter com o infinito” leva-nos a conhecer as histórias estranhas dos habitantes insólitos de uma vila (em que não chove) fundada por Apolónio, um fabricante de guarda-chuvas, porque “a evidência do bom tempo do lugar, em vez de o desanimar, provocou o inverso. Ele não nascera para fazer o que os outros queriam, nem para vender o que precisavam. (…) Foi um sucesso.”

Ainda que Pedro seja a nossa alegada personagem principal, não é de todo a mais cativante. Sobretudo porque temos as Marias, dramaticamente divertidas. Em especial a que nasceu não depois de 9 meses, mas depois de 13, o número do azar. Ingénua, sonhadora, deixa escapar o que importa, porque vive para dentro. Já para não falar do segredo de Maria, a Imaculada, que após nos provocar pena, nos faz sorrir levemente. Ou a história de Alaor, que é absurda e profundamente triste. Como é que se perde uma mulher que nunca nasceu? Ou a de Jonas, que precisa de aprender uma lição deveras valiosa, capaz de lhe salvar a vida.

“Quando soube das profecias de Flora, Jonas percebeu que algo importante estava para acontecer. Sentiu-se aliviado. Ele, que nunca havia escrito uma linha de verso, acreditava que não enlouqueceria, sendo que morrer e ressuscitar não faziam parte dos seus planos. Estava decidido a ser um bom amante.”

Histórias cómico-trágicas recheadas de bom humor, ironia e deliciosas metáforas, que nos impelem a criar uma importante corrente discursiva acerca do que é a realidade e do que é sonho, do que é eterno e do que é efémero. Porque nunca estamos certos de estar acordados ou porque a vida é como nós a pintamos? Porque perdura o que nos marca a alma ou porque não há nada que fique para sempre?

A obra está à venda na Fnac.