Off Sight | Deixar para trás

No mês passado, não consegui participar no Off Sight, porque tem sido difícil arranjar tempo entre o trabalho e o mestrado. Entretanto, esta será a última publicação do projeto fotográfico com a temática dos lugares abandonados, por isso comprometi-me a fazer parte do fim do ciclo. Sendo assim, aproveito para falar sobre o processo de deixar para trás, de virar a página.

Ao longo da vida não deixamos para trás apenas lugares, mas temos de confessar que os lugares são uma parte importante de tudo o que vamos deixando para trás. Mesmo que, e concordo totalmente, sejam as pessoas a fazer os lugares. Não no sentido apenas de os construir, mas sobretudo no de lhes conferir significado.

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Por que é que é tão difícil deixar para trás?

É por isso que, às vezes, virar a página pode ser tão difícil, sobretudo quando o que deixamos para trás nos fez tão felizes. Às vezes, até com situações dolorosas nos custa seguir em frente. Porque somos eternos crentes de que algo bom está para chegar. Ou porque já foi assim ou porque queremos muito que assim seja.

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Deixar para trás é, no entanto, um processo tão complicado como, por vezes, necessário. Não falo propriamente em deixar casas ao abandono e no estado de degradação que estas fotografias refletem. Nem, obviamente, em abandonar pessoas e animais que estão ao nosso cuidado. Mas deixar para trás pode significar mudar de casa, trocar de emprego, dizer adeus a um amor ou amizade que é mais tóxica do que satisfatória.

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Quando deixamos para trás, estamos a guardar numa gaveta uma parte de nós. Pode até não ser definitivo, mas a princípio parece-nos sempre e pode fazer-nos sentir como se a nossa pequena fortaleza perdesse uma parte importante do que a sustenta. Nem que seja porque a mudança pode ser assustadora. Ou, por outro lado, podemos encarar a situação como o início de uma nova aventura, como um acrescento à nossa bagagem.

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As ligações que criamos raramente desaparecem

Pessoalmente na altura de deixar para trás, já me senti das duas formas. Quer aterrorizada como entusiasmada. É uma questão de conseguirmos ou não gerir os nossos sentimentos, de sermos capazes de olhar para o que nos parece o caos como peças soltas para juntarmos, de cabos que não servem para nada para ligações que, depois de feitas, raramente desaparecem, quer estejam cá fora ou na gaveta.

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Espero não estar a ser confusa e gostava que se sentissem à vontade para partilhar a vossa opinião comigo. Quanto às fotografias, foram captadas há já algum tempo (infelizmente não tenho tido tempo para ir fotografar de propósito), em Sintra, no Centro de Saúde que referi na minha primeira participação.

A primeira fotografia foi logo tirada à entrada (e podem ver a fachada da frente do edifício na imagem de destaque). A primeira janela que aparece, com a cadeira estrategicamente posicionada, serviu como a porta da entrada para o interior, que é relativamente espaçoso e está bastante destruído, como podem ver ao de leve.

Para verem as restantes participações, não se esqueçam de  passar pelos blogues das fundadoras | a Marta do Viver a Viajar, a Catarina do  A Girl in Mint Green, a Vânia do Raining Days and Mondays e a Joana do Jijie da outra convidada, a Marta do FashiONoir.

  • Deixas para trás pode, de facto, ser algo capaz de provocar o melhor e o pior em nós. Seja como for, por ezes é preciso coragem para desligar do que já não queremos, já não nos faz bem, ou não nos faz sentido. Por vezes é mesmo necessário para sobrevivermos, para crescermos, para continuarmos a viver. Fomos feitos para isso, no fundo. 🙂
    Vânia publicou recentemente: Off Sight | O Convento Nossa Srª do Desterro em MonchiqueMy Profile

  • É um exercício difícil, deixar para trás. Para mim, pelo menos, costuma ser um momento de grande ansiedade e de medo do que aí virá, confesso. Sou muito apegada à minha segurança e…bem, isso nem sempre é uma coisa boa. Correr riscos é necessário!

    Gosto mesmo do teu olho para o detalhe 🙂

    Jiji
    Joana Sousa publicou recentemente: Photo | Off Sight | Pilar em RuínasMy Profile

  • Gostei das fotos mas gostei ainda mais do teu texto. E deixar para trás é também um exercício de libertação, por mais que custe acho que é sempre positivo!

    • Raquel Dias da Silva

      Obrigada Marta! Achei que era giro fazer dois em um e fico feliz por teres gostado 🙂

  • Opá que belas recordações ao ler o teu post e ver as tuas fotos, foi o nosso primeiro dia de exploração conjunta, a nossa primeira conquista 😀
    Adorei ler o teu texto sobre o deixar para trás, penso que é um alivio desprendermo-nos de bens materiais que não precisamos, para dar lugar a outros que necessitamos ou então deixar assim, com pouco mas bem.
    a foto dos vidros partidos está muito bem conseguida e a do arame dá medo 🙂

    • Raquel Dias da Silva

      É verdade e foi um dia espectacular!
      Eu tenho dificuldade em deixar para trás, mas vou aprendendo a seguir em frente, a perceber o que faz falta e o que é cada vez mais dispensável.

  • O desapego, o “deixar para trás” nem sempre é fácil mas muitas vezes é mesmo necessário por muito que nos custe…
    Parabéns pelas tuas fotos!
    Beijinho

    • Raquel Dias da Silva

      É verdade, Bela. Obrigada! Beijinhos