ACMA | Cinema e emoções à flor da pele

acma-across-the-universe-meek-sheepFotografia do filme Across te Universe com selo d'A Cultura Mora Aqui

O mês passado participei pela primeira vez n’A Cultura Mora Aqui. Em janeiro falámos de (re)começos e eu decidi partilhar as séries que tenciono que me acompanhem ao longo deste novo ano. O tema do mês de fevereiro é, como não podia deixar de ser, sentimentos. Hoje apresento uma seleção de três filmes que me deixam as emoções à flor da pele.

O Principezinho

Le Petit Prince, de Antoine Saint-Exupéry, é um clássico. A adaptação cinematográfica, realizada por Mark Osborne, utiliza stop-motion para a história baseada no romance francês e animação digital para a narrativa alternativa. Para ser sincera, o facto de se utilizarem duas técnicas diferentes deixou-me imediatamente com expetativas muito altas. Como é óbvio, não me desiludi: vi no cinema, acompanhada, e chorei mais do que o miúdo de onze anos no grupo.

le-petit-prince-fox-meek-sheep

Penso que gostei sobretudo porque não é uma adaptação direta. A trama original foi contada de uma forma muito criativa e que não retira de forma nenhuma a magia que todos conhecemos. Muito pelo contrário, adiciona-lhe uma camada deliciosa. Primeiro porque é uma narrativa nova, que nos surpreende. Por outro lado, porque é fácil sentirmos empatia pela personagem principal.

A Menina, com mais ao menos a idade d’O Principezinho, tem uma Mãe que, desejando que a filha entre numa escola de renome como o primeiro passo para o sucesso, lhe impõe um plano de estudo rigoroso para o verão. Pessoalmente nunca senti que os meus pais exigissem demasiado de mim, mas às vezes, por uma ou outra razão, sentimos as expetativas que os outros têm para nós. É fácil sentirmos que já passámos pela pressão de não falharmos. Neste caso, a menina acaba por conhecer o Aviador que lhe conta a história de um pequeno príncipe, que ele supostamente conhecera no deserto quando o seu avião caíra.

le-petit-prince-meek-sheep

A relação entre a menina e o aviador é muito curiosa, porque a princípio ela acha-o muito estranho. Mais tarde percebe que pode ser uma forma de se afastar do trabalho e, à medida que conhece melhor o seu vizinho, começa a criar laços de amizade muito profundos. Ainda assim, não posso deixar de destacar toda a simbologia presente (a diferença entre a casa do aviador e o resto das casas, por exemplo) e as muitas mensagens escondidas e que podem ser interpretadas de formas diferentes (a relação do pequeno príncipe com a rosa pode ser de amizade na infância ou representar a dificuldade de um relacionamento amoroso na vida adulta). Pessoalmente, acho que o filme é irrepreensível a todos os níveis.

la-boutique-petit-prince-meek-sheep

Bonecos à venda na La Boutique du Petit Prince

10 Things I Hate About You

Talvez possa parecer um atentado a escolha de um filme que pode ser considerado um chic lit, mas neste caso penso que não há necessidade de pedir desculpas. O romance da feminista Kat (Julia Stiles) e do mau rapaz Patrick (Heath Ledger), baseado numa obra de Shakespeare, faz parte da minha adolescência. Por outro lado, a personagem principal é uma miúda que não se submete aos caprichos dos homens (nem aos de ninguém, para que conste) e que se destaca mais pela sua inteligência do que pelos seus atributos físicos (embora saiba e não hesite em utilizá-los caso necessário).

Destaco como uma das minhas cenas preferidas e possivelmente a que mais emoções me deixou à flor da pele aquela em que a Kat lê um poema que escreveu a pensar no Patrick. Para uma pessoa como ela, mostrar tanta vulnerabilidade é algo muito difícil. Não é algo com que eu me identifique propriamente, uma vez que chorar é comigo, mas foi algo que me tocou muito (e não só porque adoro poesia).

10-things-i-hate-about-you-poetry-meek-sheep

Confesso que é complicado explicar com detalhe a razão porque acho que este filme merece estar aqui, mas para mim é muito mais do que uma simples comédia romântica para adolescentes. É uma homenagem a Shakespeare, uma adaptação moderna de uma das suas obras e cumpre exemplarmente o papel de entreter. Já para não falar da banda sonora, meus caros, uma vez que é impossível não ficar com ganas de dançar.

Across the Universe

Este ano saiu o musical La La Land. Eu digo que o Across the Universe é muito melhor. Nem que seja porque as músicas são dos Beatles. Por outro lado, não estamos a falar de apenas um romance, mas de todo um retrato de uma época, os anos 1960. Abordam-se temáticas como a Guerra do Vietnã, o Detroit riot, a homosexualidade (através do caso da Prudence), as drogas e os movimentos pacifistas e culturais.

A fotografia é muito bonita e, por vezes, psicadélica, cheia de cores vibrantes. A banda sonora é, sem sombra de dúvida, de arrepiar. Primeiro, porque estamos a falar de composições magníficas dos Beatles. Depois porque as interpretações são de arrepiar. Destaco a I Want You por causa da força metafórica que transporta e que transmite com o resgate do famoso Uncle Sam, possivelmente a maior publicidade de guerra da história moderna, utilizado em 1917 pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, interessadas em recrutar soldados para a Primeira Guerra Mundial; e Across the Universe, que dá o nome ao filme e que me faz chorar só de ouvir.

Confesso que no La La Land a falta de realismo de algumas cenas (a cantoria na autoestrada, logo no início do filme, por exemplo) incomodou-me, mas o Across the Universe está impregnado de falta de realismo e de cenas que parecem autênticos videoclipes e eu acho absolutamente delicioso. Nem sequer consigo expressar decentemente o quão encantada todo o visual da obra me deixa. É poesia pura.

across-the-universe-meek-sheep-gif

Aproveitem para seguir as mentes criativas deste projeto: Oh, Pêssegos!Cor Sem FimMiss MelfeThe eyes of a Mermaid e #Comic Life – Geek & Crafts Blog.

Podem seguir a página d’A Cultura Mora Aqui e, caso queiram participar no projeto, basta enviarem um email. Este mês, os blogues (e canais de Youtube) convidados são muitos e, por isso, cada um de nós só fará algumas partilhas: PumPum, Sr. Foco, Inspiring e My Own Anatomy.

9 Comments

  1. Pingback: ACMA | Passatempos: atividades ao ar livre, em comunhão com a natureza

    • Raquel Dias da Silva

      Natália garanto que vale a pena ver o Across the Universe. O Principezinho é definitivamente para miúdos e graúdos (e se der para toda a família)! Boas sessões de cinema 🙂 Beijinhos

  2. Gostei muito do post e o único filme que não conhecia é o Across The Universe; nunca vi o filme d’O Principezinho, mas sou uma eterna apaixonada pelo livro e o 10 Things I Hate About You é, sem dúvida, um dos meus filmes preferidos! Adorei a maneira como abordaste o tema e os filmes que escolheste, mesmo não conhecendo o último!

    Um beijinho,
    Bia do Bookaholic
    Beatriz publicou recentemente: ACMA | COISAS IMPORTANTES DE QUE NINGUÉM GOSTA DE FALAR (pt. 1)My Profile

    • Raquel Dias da Silva

      O Across the Universe vale mesmo a pena ires ver. Depois dá-me feedback. E obrigada pelo comentário. Fico feliz por teres gostado da publicação. Deu-me muito gosto fazê-la 😄 Beijinhos!

  3. Olá, Raquel!

    Deixa-me dizer que adoro a forma como escreves. 🙂 Estudei Jornalismo, na ESCS, e, claro, é sempre maravilhoso quando encontro alguém que trata tão bem as palavras como tu.

    Ainda não vi O Principezinho. Mas, como é dos meus livros preferidos, cheira-me que vou adorar vê-lo. Tenho de resolver isso! :p

    Beijinhos!

    • Raquel Dias da Silva

      Olá Joana, sou licenciada em Ciências da Comunicação – Jornalismo na FCSH, mas a ESCS foi a minha 2.ª opção (e quase que foi a 1.ª!). Fico muito feliz por encontrar uma colega de “profissão”. Espero que vejas O Principezinho em breve e que voltes cá mais vezes. Beijinhos 🙂

  4. Joana Sousa

    Parece impossível, ainda não vi O Pricipezinho, e ando desde que saiu a dizer que o quero ver! Parece um filme maravilhoso. E fiquei mesmo curiosa com o Across The Universe, que não conhecia. Vai para a lista!

    Jiji

    • Raquel Dias da Silva

      Eu vi O Principezinho duas vezes (uma no cinema e outra no conforto dos meus lençóis) e chorei ambas. Mas eu sou muito choramingona. Agora que a nível visual o filme é de facto uma maravilha isso ninguém pode negar! Depois quero saber o que achas 🙂

      Quanto ao Across the Universe é daqueles filmes que eu vejo muitas vezes <3

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CommentLuv badge