Banda desenhada | 5 sugestões da 9.ª arte

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Banda desenhada é, sem sombra de dúvida, um dos maiores prazeres que tenho. A primeira vez que li (e vi com olhos de ver) foi no secundário. Mas foi só com o primeiro volume de Blacksad, a meio da licenciatura (ano letivo 2014/2015), que despertei para esta paixão assolapada que agora partilho cheia de entusiasmo. Quando me viciei em Sagacomecei a procurar mais títulos e autores e, claro, a acabar com o espaço nas prateleiras. Porque acredito que vale a pena, deixo cinco sugestões para um mergulho no universo da 9.ª arte.

Persépolis, de Marjane Satrapi

Pérsepolis: A história de uma infância e a história de um regresso é a memória gráfica de Marjane Satrapi, a primeira iraniana a escrever banda desenhada. A primeira vez que a li foi no secundário, tendo-me sido emprestado o livro pelo meu professor de história. Gostei tanto que logo a seguir fiz questão de ver a adaptação cinematográfica.

O ano passado ofereceram-me o livro no natal e voltei a relê-lo. Com ilustrações monocromáticas, revela-se uma autobiografia inteligente, divertida e comovente. Marjane Satrapi desvela não apenas as suas memórias como uma mulher que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica, como transmite, de forma profundamente humana, uma mensagem universal de liberdade e tolerância.

Podem ler a minha crítica completa no Espalha-Factos.

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Blacksad, de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido

Blacksad trata-se de uma série de banda desenhada que acompanha os casos de John Blacksad, um detetive privado. O volume 1, Blacksad: Algures entre as sombras, segue a investigação do assassinato de uma famosa atriz, revelando-se um autêntico policial negro norte-americano.

Confesso que considero o primeiro volume o mais fraco da série. Foi o segundo, Blacksad: Arctic Nation, com uma história sobre a questão da violência interracial e da segregação racial, que realmente me prendeu. Como cada um se foca num tema diferente, é possível ler em separado. Na estante, já tenho três. O terceiro volume, Blacksad: Alma Vermelha, aborda a rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Por fim, uma das características principais da série, e que não posso deixar de destacar, prende-se com o seu o mundo antropomorfizado (personagens animais com características humanas). O protagonista é um gato e o seu sidekick uma doninha anã.

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Saga, de Brian K. Vaughn e Fiona Staples

Saga é a história de Alana e Marko, dois jovens soldados de lados opostos de um vasto conflito inter-galáctico sem fim, que se apaixonam e arriscam tudo para protegerem a sua filha Hazel, que terá de crescer num universo hostil e perigoso.

Em primeiro lugar, é uma aventura familiar, subversiva e provocante, que nos fala acerca das peripécias que é formar uma família e criar uma criança, sobretudo quando todo o mundo parece estar contra nós. Por outro lado, ao não deixar de abordar problemáticas contemporâneas – desde as questões culturais às consequências da guerra, do vegetarianismo aos problemas conjungais, do racismo à exploração sexual e infantil – constitui-se ainda como uma crítica social mordaz.

Já tenho cinco livros da série, na versão capa dura da G. Floy, na estante. Mal posso esperar pelo próximo volume. O último, o número cinco, comprei-o no Amadora BD este ano.

Southern Bastards, de Jason Aaron e Jason Latour

Southern Bastards: Aqui Jaz um Homem, de Jason Aaron e Jason Latour, mergulha no Sul dos Estados Unidos, misturando ficção e até memórias dos próprios autores, numa série criminal nomeada para vários prémios.

A premissa do primeiro volume é, na verdade, bastante simples. Um homem (Earl Tubb) que, contra a supremacia de um outro (Euless Boss), numa cidade que se sente impotente, decide que é hora de se impor, embora as chances de ganhar sejam poucas ou mesmo inexistentes. No segundo volume, o protagonismo passa de Tubb para Boss, numa reviravolta arrepiante.

Descobri esta delícia por sugestão do editor da G. Floy, que publica as edições em capa dura mais bonitas que alguma vez vi, e estou completamente rendida. Em breve, farei questão de partilhar review de Southern Bastards: Sangue e Suor no Espalha-Factos.

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O Astrágalo, de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg

O Astrágalo é a adaptação a banda desenhada do romance semi-autobiográfico de Albertine Sarrazin. Conta a história de Anne, uma jovem de 19 anos que parte um osso (o astrágalo) do tornozelo ao saltar o muro da prisão, na qual estava encarcerada por assalto. Salva por Julien, por quem acaba por se apaixonar, confronta-se com uma situação de dependência.

Quero muito escrever uma crítica desta novela gráfica (que me emocionou tanto quanto desconcertou), mas entretanto podem ler a de uma (quase) homónima, nas Leituras Marginais. Diz-se que "é talvez das histórias de amor mais estranhas e livres da história da literatura, e ainda assim das mais bonitas."

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Imagem de Destaque: arte de Fiona Staples para a banda desenhada Saga

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