As minhas super-heroínas da banda desenhada

as-minhas-personagens-femininas-favoritas-da-banda-desenhada-meek-sheeparte de Fiona Staples em Saga, de Brian K. Vaughan

Confesso que a maior parte das minhas personagens favoritas são homens. Provavelmente porque é muito mais difícil encontrar uma personagem feminina que não me faça revirar os olhos mais vezes do que o desejável. Felizmente, tenho encontrado muitas super-heroínas na banda desenhada.

Decidi, num movimento de girl power, elaborar uma lista (sem qualquer ordem de preferência) com quatro mulheres ficcionais que (a par das super-heroínas de carne e osso que orgulhosamente conheço) me fazem acreditar cada vez mais que não somos de todo “o sexo fraco”.

Alana (Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples)

Saga segue a aventura de Alana e Marko, dois soldados de lados opostos de um imenso conflito galáctico que se apaixonam e se vêem sem outra opção que não a de arriscar tudo para proteger a vida de Hazel, a sua filha recém-nascida.

“Querido, Beatrice é nome de menina betinha. Ela parece-te uma betinha?” – Alana (Saga, Volume 1)

Oriunda do planeta Terravista, com asas de insecto mas sem (a certeza de poder voar ou) qualquer super poder, Alana batalha uma e outra vez para manter a sua família unida contra um universo hostil (como quem diz contra assassinos profissionais, robôs com cabeça de televisão, a ex-noiva do seu marido e muitas outras criaturas tão fantásticas como perturbadoras).

Dura de roer, com um sentido de humor apurado e uma língua afiada, esta super-heroína não tem medo nem de dizer o que pensa nem de bater em quem quer que ouse ameaçar os seus. Mais ao menos como todas as mães do mundo quando o instinto materno está nos píncaros.

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Olive (Gotham Academy, de Cloonan, Fletcher e Kerschl)

Gotham Academy afasta-se dos grandes super-heróis e vilões da DC para se concentrar numa nova história, que nasce precisamente dentro da academia, financiada pelo Bruce Wayne, e se foca nas aventuras da jovem Olive Silverlock.

Em busca da verdade acerca do seu passado, mas também instigada pela sua curiosidade insaciável, Olive torna-se uma caçadora de mistérios, em conjunto com o seu improvável grupo de amigos. Embora um pouco atormentada, Olive é confiante, independente e determinada.

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Velvet (Velvet, de Brubaker, Epting e Breitweiser)

Quando o melhor agente secreto do mundo é assassinado, Velvet vê-se fora da sua secretária e envolvida numa teia perigosa que a obriga a passar de simples secretária (com uma excelente memória fotográfica) a uma mulher (com um passado secreto) no terreno.

Ao contrário do que acontece na maioria das séries de banda desenhada (e basicamente em todo o universo literário e cinematográfico), Velvet não é nem uma adolescente nem uma jovem adulta, encontrando-se provavelmente nos seus quarenta.

É, definitivamente, uma girlboss. Vinte anos antes da narrativa começar, fora uma das melhores espias da agência. Perante uma série de acontecimentos trágicos, o passado volta para a assombrar. Madura, sedutora, confiante, inteligente, independente e implacável (sobretudo quando a sua vida e reputação estão em perigo) mas também com um coração mole.

velvet-templeton-meek-sheep-superRoberta (Southern Bastards, de Jason Aaron e Jason Latour)

Southern Bastards mergulha no Sul dos Estados Unidos através de um thriller de que ninguém sairá incólume. Não existe apenas um protagonista, uma vez que em cada volume há mais do que um narrador a apoderar-se do foco, mas o volume 1 começa por nos introduzir a Earl Tubb, a quem é fácil afeiçoarmos-nos para, de repente, percebermos que teremos de continuar a acarinhá-lo através da sua filha Roberta Tubb.

“É só biologia, não nos define. Não decide quem somos, não no fundo.” – Roberta Tubb (Southern Bastards, Volume 3)

Roberta é uma fuzileira naval, de regresso do Afeganistão. No Condado de Craw, terá de aprender a gerir não só o seu desejo de vingança como o que sente pelo seu pai e pelo regresso a uma cidade onde há pelo menos um sacana por metro quadrado e onde a sua cor de pele não passará despercebida.

Forte, independente e desafiadora, é provavelmente mais perigosa do que qualquer sacana do Alabama. Mas é também, como toda a gente, vulnerável aos preconceitos e expectativas dos outros. Estou ansiosa por conhecê-la melhor nos volumes seguintes (a primeira vez que temos a sua perspectiva é apenas no volume 3).

E as vossas super-heroínas favoritas?

Esta é apenas uma amostra das figuras femininas presentes em séries de banda desenhada que me deixam orgulhosa de ser mulher. Podia enumerar mais umas quantas sem hesitação. Só a série Saga está recheada de mulheres poderosas, como a mãe de Marko ou a babysitter de Hazel. Convido-vos, por isso, a partilharem comigo as vossas super-heroínas favoritas, com ou sem poderes sobrenaturais.

  • Muito bom, além de apagar certos preconceitos, divulga personagens que nem todos conhecem. Parabens.