Off Sight | Um novo projeto fotográfico e uma aventura em Sintra

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O Off Sight é a continuação de um grupo que nasceu com o projeto fotográfico 6 on 6 e que pretende continuar a treinar a arte que é captar imagens e partilhar a sua história. A edição de janeiro contou com a presença de lugares abandonados e, este mês, o primeiro em que participo, o tema mantém-se.

Quando fui convidada para participar nesta aventura de fotógrafas em formação, fiquei super entusiasmada. Em primeiro lugar porque adoro fotografar. Em segundo porque, infelizmente, muitas vezes preciso de uma desculpa para me obrigar a fazer algo que, afinal de contas, gosto tanto. Seja por falta de tempo ou por preguiça de sair à rua em vez de ficar a relaxar no, lá está, pouco tempo que tenho para estar só comigo.

Em Tavira existem alguns prédios que começaram a ser construídos e, entretanto, estão abandonados. Mas estava fora de questão fotografar lá, uma vez que só vou uma vez por mês a casa dos meus pais e já tinha realizado a viagem umas semanas antes. Como não conhecia nenhuma casa abandonada em Lisboa nem nos arredores e, numa aventura tão ousada, convém irmos acompanhados, juntei-me à Marta, à Lúcia e à Margarida numa visita a Sintra.

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A primeira casa em que entrámos era um antigo Centro de Saúde. Eu e a Marta saltámos o muro como autênticas invasoras de propriedades, mas a Guida não demorou a perceber que o portão abria facilmente. De qualquer forma, combinámos que só íamos escolher fotografias de um lugar e, por isso, a escolha recaiu facilmente nas que tirámos no interior de um prédio cuja porta, como que a convidar-nos, estava aberta.

Para além dos destroços, percebi que gosto muito de focos de luz e, sobretudo, de janelas. Não fiquei especialmente satisfeita com as que tirei neste espaço em particular, porque não consegui fugir do ruído nem de outros erros técnicos. Culpa de quem não mexe na máquina há demasiado tempo. Tenho, contudo, de agradecer à Lúcia por ter sido uma modelo exemplar.

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Tenho pena que a qualidade esteja muito aquém do que seria desejável. Por outro lado, gosto muito do sentimento de saudade que transmite e do contraste entre um interior tão escuro e um exterior tão claro. O céu podia estar muito mais bonito, mas infelizmente o tempo não estava assim tão bom e a cor estava mesmo murcha. Até parece azul claro, enevoado, mas na verdade estava um cinzento tímido, desenxabido.

Por outro lado, não resisti a tirar umas macro. Descobri que não é só para eternizar a natureza, mas também os destroços que o ser humano deixa para trás. Por alguma razão a minha fotografia preferida é a do cano amarelo, embora o buraco negro possa fazer lembrar câmaras secretas, o que é um pouco assustador. Quanto à gaveta, só reparei no pormenor curioso das gordas em casa. Parece um pouco macabro, não?

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Gostei muito da experiência, sobretudo porque o fiz em boa companhia. É um pouco mágico explorar um espaço que já acomodou vidas e que agora se perdeu um pouco no caos das mudanças e da degradação. Descobrir recantos e objetos que outrora pertenceram a alguém. Talvez por isso tenha de acabar a partilhar o que mais me fascinou: a natureza escondida, a crescer, a adornar, com tão viva cor. À espera que a reguem.

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O prédio era supostamente a antiga propriedade dos inválidos do comércio, um legado do benemérito Romão Ferreira Pires, localizada nas Escadinhas do Hospital, em Sintra. Confesso que fiquei intrigada com a razão por que ainda não se precederam a obras de restauro. Se alguém viver em Sintra ou estiver a par da situação, fique à vontade para começar uma conversa.

Não se esqueçam de passar pelos blogues das fundadoras | a Marta do Viver a Viajar, as Catarinas do Joan of July e do A Girl in Mint Green, a Vânia do Raining Days and Mondays e a Joana do Jijie das outras convidadas, a Margarida do Leves e Ausentes, a Bela do Espiral em Flor, a Marta do FashiONoir e a Lúcia do Lucie Lu.

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  • Adorei as fotografias. Sou de Sintra e, de facto, casas abandonadas é coisa que não falta por esses lados. Gosto de ver mas tenho sempre pena que não se invista em reconstruir.
    inês publicou recentemente: Três autoras que quero lerMy Profile

    • Raquel Dias da Silva

      Eu acho que Sintra tem uma beleza peculiar. Faz-me sentir como se estivesse num conto de fadas e depois tem um outro lado nostálgico e misterioso que encontramos nos lugares abandonados e nas histórias por detrás. E sim, depois há a questão do porquê de não se reconstruir? Tantos lugares que podem ser aproveitados e que estão simplesmente à mercê do tempo é triste.

  • Não sei porque te queixas da qualidade, Raquel, eu gostei imenso do teu registo fotográfico desta casa. As fotos mais escuras dão um ar de nostalgia e mistério que associo sempre a casas abandonadas.
    Gostei também que tivesses feito uns macros por lá, é inesperado num post deste género, eu gostei imenso!

    • Raquel Dias da Silva

      Obrigada pelas palavras Catarina. Acho curioso que o feedback do ruído e da escuridão tenham sido tão positivos. Talvez seja exatamente por esse sentimento de nostalgia e mistério de que falas. Quanto às macros, tirei imensas e fiquei muito satisfeita, achei que era uma forma de mostrar mais profundamente alguns pormenores da casa.

  • Ahhh ali está o tubo que tanto falavas e realmente ficou muito giro, a luz e enquadramento certos =)
    Também senti dificuldades na parte tecnica mas este projecto serve mesmo para isso, para praticarmos mais e fazermos cada vez melhor.
    Apesar das dificuldades que falas adorei o resultado final, a Lucie à janela, tubo e da casa de banho são as que mais gosto.
    Este mês há mais yuppieeee! Bem vinda ao off sight =)

    • Raquel Dias da Silva

      Para ser sincera cada vez que olho para as fotografias sinto-me orgulhosa, não tanto pelo resultado, mas pela história por detrás, como as obtemos. Acho que este projeto é uma ótima forma de treinarmos (e de nos divertirmos com o processo). Obrigada pela oportunidade, já estou ansiosa pela próxima experiência 🙂

  • Pingback: Projecto Off Sight: Um mosteiro do séc. XV abandonado - personal / lifestyle /DIY()

  • Ah como te entendo, Raquel! Sabemos perfeitamente que adoramos isto mas parece que é mesmo preciso uma boa “desculpa” para nos arrancar do sofá. E ainda bem que conseguimos arrancar-te de lá, porque tens fotografias maravilhosas! Confesso, adoro a da Lúcia, acho que a questão da qualidade que referes até ajuda a criar um ambiente mais nostálgico! E as tuas macros estão espectaculares sim senhora. Aquela do jornal está muito boa – particularmente fantasmagórica :p

    Jiji
    Joana Sousa publicou recentemente: Photo | Off Sight | Silos da CIMPORMy Profile

  • Aiii Raquel, adoro as tuas fotografias! Captaste detalhes muito interessantes dessa casa 😀 Também gosto imenso da fotografia do cano amarelo e o título do jornal na gaveta fica mesmo macabro. Dá uma “carga” ainda mais assustadora à foto :p Fico muito contente por teres alinhado connosco neste desafio. Bem-vinda abordo 😀

    • Raquel Dias da Silva

      Eu é que agradeço pelo convite. É uma ótima forma não só de ser menos preguiçosa para sair e ir fotografar como de conhecer pessoalmente as pessoas por detrás dos blogues e viver experiências diferentes 🙂 Pois é, dá um ar macabro, mas só reparei mesmo quando cheguei a casa e fui ver as fotografias todas.

  • Adoro a 2.ª foto. So simple! 🙂

    • Raquel Dias da Silva

      Eu adoro macros e não resisti a registar a ferrugem do corrimão. Achei que dava uma fotografia interessante 🙂

  • Tb gosto muito da foto do cano. 🙂
    Lá está, não parece nada o mesmo sitio que as outras meninas fotografaram. É giro cada uma ter a sua visão fotográfica.

    • Raquel Dias da Silva

      Pois é Bela. Acho que foi muito interessante sobretudo esse aspeto de ver as várias perspetivas 🙂

  • Então tu és do Algarve? Olha, uma vez que venhas temos que combinar fotografar juntas. Ia gostar muito porque não costumo ter companhia! 🙂

    Falavas do ruído das tuas fotos e lembrei-me dum workshop de fotografia nocturna que tive em que o fotógrafo nos explicava que, na sua perspetiva, o ruído não é assim tão mau. E que acha que as fotos não têm que ser perfeitas, têm que ser realistas. Portanto don’t worry, saiste-te bem! Também me parece que fizeste, dentro de casa aquilo que se deve fazer: procurar os focos de luz que nos são proporcionados pelas janelas e portas. A luz é tudo na fotografia e devemos mesmo procurá-la. E focaste-te nos detalhes. Muito giro. Welcome aboard! 🙂
    Vânia publicou recentemente: Off sight | A fábrica de cal abandonadaMy Profile

    • Raquel Dias da Silva

      Sou, cresci em Tavira, onde os meus pais e irmão mais novo vivem. Gostaria imenso de combinar algo mas por enquanto só vou a casa uma vez por mês e nunca fico tempo suficiente. Esperemos que quando acabar um dos estágios possamos ver se dá.
      Quanto à tua partilha sobre o ruído, obrigada, acho que vou passar a olhar para a questão de uma outra forma. Fico feliz por teres gostado das fotografias 🙂 Beijinhos